05 maio, 2010

O caso Bragaparques

Vale a pena ler a notícia e o comentário do especialista em direito penal, para compreender que as leis penais em Portugal são "uma teia de renda jurídica cujos fios são tão juntinhos que nada deixam escoar para a condenação".

Lusa/ Sol:
O recurso da Bragaparques, baseia-se, entre outros, num parecer do penalista Costa Andrade para quem, «no direito positivo português vigente não é permitido o recurso a agente encoberto para investigar o crime de corrupção activa para acto lícito, dirigida a um titular de cargo político».
Isto porque - sublinha - «a investigação deste crime não legitima as escutas telefónicas, medida menos invasiva e danosa que só é válida para crimes superiores a três anos».
Observa que «entendimento diferente determinaria a inconstitucionalidade da norma, por violação do princípio da proporcionalidade».
Para Costa Andrade «a ilegalidade da acção encoberta determina a ilegalidade e proibição de valoração das provas que ela tornou possíveis, nomeadamente o teor das gravações das conversas de 24 e 27 de Janeiro de 2006», que Ricardo Sá Fernandes manteve com Domingos
Névoa.
Afirma que foram feitas em violação frontal do Código Processo Penal e da Lei n.º 5/2002 e que sofrem, ainda, de «falta de fundamentação do despacho de autorização e das exigências de acompanhamento e controlo judicial».
«As provas ilícitas são inadmissíveis no processo» , afirma, frisando que Ricardo Sá Fernandes terá incorrido na prática de um crime ao gravar uma conversa privada, em 22 de Janeiro de 2006, sem autorização do interlocutor."

Comentário, via
http://portadaloja.blogspot.com

O problema principal do nosso processo penal é este que está à vista de todos: as exigências e requisitos para recolha e validação das provas de crimes, são tão apertadas e rigorosas que fatalmente acabam no que se tem visto: a absolvição dos poucos corruptos e suspeitos que ainda vão sendo encontrados.
O poder legislativo que engloba pessoas como o professor Costa Andrade, a escola de Direito Penal de Coimbra e agora também a de Lisboa, com a professora Fernanda Palma, durante anos a fio, teceram uma teia de renda jurídica cujos fios são tão juntinhos que nada deixam escoar para a condenação. Fica tudo filtrado na fase de investigação - quando e se tal acontece, o que aliás se vai tornando cada vez mais raro. O que passa, ficará depois retido em recurso e sucessivas aclarações de acórdãos que duram anos e anos a transitar em julgado.
As regras de processo penal, facilitam, incentivam e cerceiam a Justiça, em Portugal, sempre com as melhores razões teóricas, geralmente associadas aos direitos, liberdades e garantias de bandidos e trafulhas. O direito penal português, tem-se transformado num verdadeiro direito penal dos inimigos da sociedade, sempre com o apoio e aplauso daqueles teóricos que assim devem ser denunciados como inimigos da mínimo ético para uma ordem social decente. Inverteram a prioridade de valores, elevando à categoria máxima, os direitos e garantias que impossibilitam a Justiça.
As ideias jurídicas de Costa Andrade e das escolas de Direito Penal português, fixadas em letra de lei, não permitem o combate à corrupção, em Portugal, neste nível da corrupção activa, em caso de acto lícito ou da passiva para acto lícito, também. As molduras penais destes crimes, são meramente simbólicas e o CPP proíbe a utilização de escutas telefónicas em investigação de crimes com pena inferior a três anos de prisão, no geral.
Logo, nestes crimes, é proibido escutar. E como é proibido, se por acaso se escutou por causa de crime de moldura superior, como foi no caso Bragaparques em que o arguido foi pronunciado por corrupção activa para acto ilícito e agora, em julgamento, se mudou para acto lícito, com pena manifestamente inferior, a doutrina de direito penal, agora assente até pelo Tribunal Constitucional ( caso da "fruta" do dirigente do FCPorto), proíbe o uso dessa prova.
Obviamente, os advogados dos arguidos agradecem. Artur Marques, neste caso Bragaparques em que a condenação foi meramente simbólica mas perfeitamente razoável segundo as leis penais que temos, aproveita e como é dever de qualquer advogado, defenderá o seu cliente.
Não adianta mais andar com paliativos jurídicos porque é esta a verdade que todos têm que ver e denunciar: as leis penais protegem estes corruptos e os teóricos do Direito penal aplaudem e emitem pareceres nesse sentido. Há que denunciar isto e tentar mudar este estado de coisas, começando em primeiro lugar por inquirir os teóricos sobre os fundamentos daquilo em que acreditam e nos valores que verdadeiramente defendem e que nos conduzem a estes escândalos evidentes e que só eles parecem não querer ver.
Vejamos as normas aplicáveis. O crime do patrão da Bragaparques, insere-se no artº 374º nº 2 do CP (que não permite o uso de escutas). Na pronúncia, tinha sido incluído no artº 374º nº 1 (que permitia a utilização de escutas):

Artigo 374.º do C. Penal:Corrupção activa
1 - Quem por si, ou por interposta pessoa com o seu consentimento ou ratificação, der ou prometer a funcionário, ou a terceiro com conhecimento daquele, vantagem patrimonial ou não patrimonial que ao funcionário não seja devida, com o fim indicado no artigo 372.º, é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos.
2 - Se o fim for o indicado no artigo 373.º, o agente é punido com pena de prisão até 6 meses ou com pena de multa até 60 dias.
3 - É correspondentemente aplicável o disposto na alínea b) do artigo 364.º.

E a verdade, doa a quem doa, é que a culpa é de quem faz estas leis e não dos desgraçados que, revoltadamente, as têm que aplicar!

30 abril, 2010

Este país não é para corruptos - RAP

Toca a Braga


http://clix.visao.pt/este-pais-nao-e-para-corruptos=f556937


Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer

3:41 Quinta-feira, 29 de Abr de 2010 – Ricardo Araújo Pereira

Portugal é um país em salmoura. Ora aqui está um lindo decassílabo que só por distracção dos nossos poetas não integra um soneto que cante o nosso país como ele merece. "Vós sois o sal da terra", disse Jesus dos pregadores. Na altura de Cristo não era ainda conhecido o efeito do sal na hipertensão, e portanto foi com o sal que o Messias comparou os pregadores quando quis dizer que eles impediam a corrupção. Se há 2 mil anos os médicos soubessem o que sabem hoje, talvez Jesus tivesse dito que os pregadores eram a arca frigorífica da terra, ou a pasteurização da terra. Mas, por muito que hoje lamentemos que a palavra "pasteurização" não conste do Novo Testamento, a referência ao sal como obstáculo à corrupção é, para os portugueses do ano 2010, muito mais feliz. E isto porque, como já deixei dito atrás com alguma elevação estilística, Portugal é um país em salmoura: aqui não entra a corrupção - e a verdade é que andamos todos hipertensos.

Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa. O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido. Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo. A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído. Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.

O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno. O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada. Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."

29 abril, 2010

SOS Sete-Fontes



No passado dia 22 de Abril, foi publicado um artigo no jornal Diário do Minho, com declarações da Directora Regional da Cultura do Norte. Nele frisava que «está em permanência a acompanhar o dossier das Sete Fontes» e que, «porque há compromissos urbanísticos assumidos, há que ter em conta que há terrenos comprados que têm direitos assumidos de construção (...)». Neste contexto, foi com profunda preocupação que o grupo de peticionários se reuniu, no dia em que se celebra o Planeta Terra. O planeamento urbano sustentável não pode ser estruturado com base em compromissos imobiliários e estes não podem sobrepor-se ao interesse público e ao bem-estar das populações. A preservação deste Eco-Monumento arquitectónico e arqueológico, rico em Flora, Fauna e Água, tem de ser definitivamente garantido.

Nesta reunião estiveram presentes vários técnicos da área do planeamento, entre os quais o ex-vereador do trânsito da Câmara Municipal de Braga, o Engenheiro Casais Baptista. Após detalhada análise das plantas rodoviárias do concelho de Braga e do ante-projecto da variante de acesso ao futuro Hospital, concluíram que a variante à EN 103, prevista para a zona sensível do Monumento Nacional, não constitui uma via estruturante para a cidade de Braga e para o novo Hospital. Essa variante serviria as freguesias bracarenses da zona Nascente e os concelhos da Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho e abriria caminho a mais especulação imobiliária nos terrenos que está prevista atravessar. A actual variante do Fojo foi executada precisamente para dar resposta ao trânsito que se acumulava na EN 103, na zona de Gualtar, pelo que não faz sentido construir uma nova variante a Norte desta freguesia. Para além disto, saiu reforçada desta reunião a ideia de que existem alternativas viáveis ao actual ante-projecto. Será apenas necessário criar uma via de acesso ao Hospital a partir da variante circular de Braga, acesso que termina neste equipamento essencial à cidade, não se desenvolvendo para Norte. Seria também necessário melhorar os acessos a partir da zona Nascente da cidade de Braga. Esta proposta tem muito menos custos para o erário público e causa menos impacto na zona protegida Sete Fontes.

Em nome da Terra, em nome de Portugal, de Braga e do Património, pedimos que seja garantida a salvaguarda deste imóvel classificado e da zona verde envolvente.

o grupo peticionário

26 abril, 2010

FuteBoys tem rosto

Pedido de divulgação
projecto editorial código das Palavras e da Revista FuteBoys

Agradeço que divulgue o máximo possível o projecto editorial Código das Palavras, proprietária da Revista Futeboys e seu respectivo site (http://www.futeboys.pt/)
Tendo em conta, que é um projecto absolutamente independente dos sectores políticos, religiosos, grupos económicos, lóbis maçónicos, bem como dos sectores económicos do futebol e outros, etc., etc.,
Na actual conjuntura só terá êxito se os sectores da sociedade civil o apoiarem militantemente. Por essa razão e atendendo ao prestigio que o Blog de V. Exa tem hoje na sociedade portuguesa apelo que o divulgue o mais possível na blogosfera.
Atentamente
O filho do Alfarrabista, secretário do projecto

24 abril, 2010

Porque hoje é Abril

Era eu um pequenote que frequentava o antigo Ciclo Preparatório.
Por volta das 11 horas do histórico dia 25 de Abril, recebemos instruções dos professores, para irmos direitinhos para casa, porque tinha ocorrido uma revolução.
Para mim, tal como para o resto do pessoal, o importante é que nesse dia não iriamos ter mais aulas.
Quando me dirigia para a paragem do Autocarro, na Av. Central, dei por mim junto de uma multidão gritando "O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO".
Passaram-se 36 anos, somos livres,
Tal como a criança, quando for grande não vou combater. E não fui
Tal como a papoila, somos livres de crescer. Cresci pensando livremente
Será que somos um povo que cerra fileiras? É que a liberdade de pensar foi-se esvanecendo.
Portugal precisa de outro 25 de Abril
Somos livres, mas poderemos voltar atrás


20 abril, 2010

Reabriu o espaço aéreo europeu


Especialistas mandaram abrir os aeroportos de toda a Europa. Afinal, o pó no ar era dos cachecóis dos benfiquistas

17 abril, 2010

Google insiste em silenciar o FARRICOCO


Definição do dicionário
farricoco
far.ri.co.co
(ô) sm 1 ant e pop Cada um dos indivíduos que conduziam aos ombros os caixões nos enterros da Misericórdia; gato-pingado. ~
2 ant Aquele que acompanhava as procissões de penitência, vestido de hábito escuro e com capuz a cobrir-lhe a cara, tocando trombeta de espaço a espaço.
3 ant O capuz que se usa nessa circunstância.
4 Blogue bracarense de referência

O Farricoco é um blogue de referência na cidade de Braga. Sua voz é incómoda e há quem queira calar a sua trombeta que se ouve em todos os cantos do mundo.

Na semana Santa de 2009, o portal Google considerou-o como não pertencente ao "espaço Schengen da Net", criando dificuldades aos visitantes.

Um ano após, exactmente, o cerco apertou-se e, quem quiser pesquisar o termo "farricoco" na net, nunca é encaminhado para o dito blogue, ou seja, tem que entrar via outros bloques, pois esta palavra foi cortada deste importante(?) motor de busca.

Lá que tentem silenciar a Moura Guedes, comprar a TVI, corromper esses criminosos de colarinho branco, ainda vá que não vá. Agora quererem Silenciar o nosso Farricoco, isso é nunca o permitiremos.


Caríssimo Farricococo, estou solidário contigo nesta luta.

Por cada blogue que tentem silenciar, outros 10 aparecerão no seu lugar.


A bufaria não passará!