A propósito da meritória instalação em Braga do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, eis que após várias leituras de periódicos de âmbito regional e nacional e da consulta de sites como o Portugal Diário, a Agência para a Sociedade do conhecimento do MCTES e o Portal do Governo, entre outros, chamou-me à atenção o facto da sigla desta instituição, ser INL e não LIN, tal como seria de esperar, dado tratar-se de um organismo Ibérico e, como tal, têm como denominador cumum a génese linguística ou seja o latim.
Tanto em espanhol como em português, a designação é muito semelhante, excepto na acentuação aguda das palavras laboratorio/laboratório e nanotecnologia/nanotecnología.
A sigla oficialmente utilizada pelo nosso Governo (INL), corresponde à designação em língua inglesa (international iberian nanotechnology laboratory).
Por facilidade de leitura e de escrita utilizam-se siglas. Dizem as regras, que se deve respeitar a sigla da língua de origem, ou seja, a língua em que pela primeira vez foi utilizada.
Por exemplo, quando nos referimos à Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, utilizamos a sigla (FAO), na sua língua de origem.
Quando nos referimos ao Ácido Desoxirribonucleico ou ao Ácido Ribonucleico, utilizamos respectivamente, as siglas DNA e RNA, na sua língua de origem.
Como é que o nosso governo quer fortalecer a Língua de Camões e aumentar a nossa autoestima, quando deita a perder oportunidades tão valiosas como esta?
Isto faz-me lembrar alguns curricula académicos, em que aparecem publicações com o título em inglês e o resto do trabalho todo ele em português.
Haverá necessidade de pactuarmos constantemente com estes estrangeirismos e outros barbarismos? Afinal a língua portuguesa não existe?
Complexo de inferioridade? Vergonha da nossa pequenês?
Talvez em Espanha dessem mais atenção à defesa da Língua de Cervantes.