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08 janeiro, 2011

a propósito de um PPS que circula na net (II)


A propósito da postagem anterior, recebi de um amigo bracarense o seguinte esclarecimento, à provocação que lhe foi lançada. O Chico decidiu meter mãos à obra.

Caro Zé de Braga:
São várias as formas para ver esta estátua. Mas vou começar pelo acessório (simbolo do nosso blogue) que é tudo quanto a envolve.

1. É normal que a data que lá está para o arcebispo seja colocada assim: é o período em que foi efectivamente arcebispo na Sé, não representa o homem, mas o arcebispo.

2. Raul Xavier morreu em 1964... e o cuidadoso autor à crítica das datas “não percebeu” que a estátua apareceu quase 40!!! anos mais tarde. Não há dúvida que se há provas de vida após a morte, esta é uma delas... (a estátua ao Santos da cunha, também teve uma espécie de quarentena durante muitos anos e a do Cónego Mego promete seguir o mesmo trajecto).

3. Quem terá sido então o “escultor”? Procure-se outro monumento patrocinado pelo Cabido e que teve a complacência do então IPPAR, o Monumento aos Arcebispos, no Rossio da Sé, e compare-se o estilo de ambas as peças. Lamento e muito que o autor deste PPS, que foi cuidadoso na iconografia e nas dimensões de certas partes da estátua, não tenha sido capaz de a analisar do ponto de vista estético. Aliás valorizou-a imenso ao colocá-la ao lado da magnífica pintura de Piero della Francesca, que se não é a que está no Museu de Arte Antiga é dessa série. Não escondo que do ponto de vista artístico, a esta estátua eu apenas posso atribuir a nota 0 (ZERO)!!!

4. “Autarquia promotora da iniciativa”. Não há ninguém em Braga mais crítico da autarquia do que eu, mas esta afirmação não é verdade. O promotor foi o deão da Sé de Braga, Cónego Eduardo Melo; a autarquia foi avisada mas fechou os olhos, foi totalmente complacente como era, aliás, em tudo quanto tocava este homem. O Pres da Câmara e o cónego estiveram juntos, por exemplo, nos órgãos sociais do Sporting de Braga, etc... ... ...

5. Pressões houve muitas, mas sobretudo para retirar a peça do local onde originalmente a colocaram, exactamente o Largo D João Peculiar, junto à Sé. Posso dizer-te que sem conhecer a estátua eu estive no centro delas, movimentei-me por aqui e acolá, etc., etc. Depois conto-te que demora tempo.

6. E lamento também que o autor deste PPS não tenha visto que esta peça é uma mais valia para Braga pois não há melhor exemplo em Portugal e, quiçá na Europa de uma estátua votiva aos cultos da fecundidade! (qual cheque bébé......) Na Índia há Kajurau, onde já estive e visitei os templos ditos do Kama Sutra, (séc. XII?), por isso não digo no mundo. Se Braga foi a mais imptt cidade romana no espaço português e uma das 5 mais importantes da Península, chegando mesmo um poeta latino, Ausónio (séc. III), a colocá-la entre as cidades ilustres do mundo romano daqueles tempos, e se o culto da fecundidade foi muitíssimo praticado pelos Romanos, porque é que Braga há-de renegar esse período áureo da sua história e não o há-de recrear? Temos que ver a coisa por aí. E não é preciso invocar que estamos em democracia!

7. Aliás, neste momento em que o dinheiro não abunda, vocês veriam que se retirassem a estátua ou a amputassem do que tem mais significativo haveria imediatamente fortes queixa dos proprietários das lojas ao lado. É que são tantas as pessoas que lá vão, sobretudo moças para tirar fotografias ao lado e nas mais diversas poses (simplesmente a olhar para ela, a afagá-la de diferentes maneiras, a beijá-la, etc.) que aquelas lojas comerciais iriam ter uma queda significativa nos seus negócios .

8. Aliás, e também, esta “estátua” é já uma embaixadora de Braga. Lembro-me que quando o Ronaldo esteve em Manchester e organizou uma orgia, actividade que saiu na penúltima página do jornal “A Bola”, disse-se que o jogador deveria ser tão dotado quanto o arcebispo de Braga e mostrou-se uma foto da estátua. Ou seja, publicidade gratuita, o que não é de perder em tempos de forte crise, à cidade e ao culto da fecundidade.

9. Neste momento em que se baixou o o valor do “abono de família” esta é uma forma de incentivar que as pessoas continuem a ter filhos. Deve ser por isso que a Igreja a aceita tão bem naquele local, num mesmo largo onde estão 2 igrejas e uma capela, um seminário e um museu da Igreja.

10. Por todas estas razões e por muitas outras que agora omito pois já perdi demasiado tempo com ruim peça, eu concluo: quem fez este PPS foi um homem que estava cheio de inveja, o que ele tem e o que ele bem gostaria de ter é fácil de perceber, não é preciso uma régua, deve ver-se a olho nú, e só não se vê porque ele tem vergonha de a mostrar
ou seja:
deixem o ARCEBISPO-PIROCA em paz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

e por aqui me fico
Chico

a propósito de um PPS que circula na net (I)

Um cajado peculiar

(Autor desconhecido)

Numa praça da zona histórica de Braga, exactamente em frente à Igreja de São Paulo, ergue-se um modesto monumento a um dos primeiros arcebispos da cidade, D. João Peculiar.

Foi amigo e conselheiro de Afonso Henriques naquele conturbado período da fundação de Portugal (1142). Deve ter sido a pessoa mais importante a seguir ao monarca, pois foi ele quem colocou na cabeça de Afonso a coroa de primeiro rei de Portugal, na cerimónia que terá decorrido nas Cortes de Lamego.

Não conheço o pretexto, mas exactamente 828 anos depois da sua morte, a cidade de Braga pretendeu prestar-lhe uma homenagem. Vai daí encomendou ao escultor Raul Xavier uma estátua em corpo inteiro e tamanho real que simbolize o afamado arcebispo. “Simbolize”, digo eu, pois não há, de facto, nenhum registo fisionómico verídico em que se fiar; nem sequer de Afonso Henriques, que era o seu rei. O escultor, embora não se tenha deixado tentar pelas ousadias modernistas, decidiu, ainda assim, inovar declaradamente em matéria de iconografia religiosa.

Primeira inovação: a mitra ― aquele típico chapéu cerimonial de bispos e arcebispos ― é excessivamente pequena e, por isso, incaracterística. É mais comparável ao capacete de combate que as estátuas de Afonso Henriques costumam exibir.

Segunda inovação: o bispo é apresentado sem mangas, apesar de estar vestido com os paramentos episcopais completos: nisso também se assemelha aos retratos que fizeram do Rei Afonso. Se há coisa que dá nas vistas nas representações de bispos e outros dignitários da Igreja, ou da Corte, é a profusão de tecidos, brocados e rendas com que os cavalheiros posavam para o retrato. Era um sinal de estatuto

Terceira inovação: o estranho báculo que o clérigo ostenta com a mão esquerda. É sabido que o papel simbólico dos bispos na cristandade é o de serem os pastores de um rebanho de fiéis, e o atributo dessa função é o cajado, ou báculo. Habitualmente esse cajado tem um desenho característico que permite a sua rápida identificação, em pinturas e esculturas, ao longo dos séculos: costuma rematar-se, em cima, por uma forma espiralada, mais ou menos decorada. Assim foram sempre representados bispos, arcebispos e mesmo o Papa
Mas em Braga não. Em Braga trabalha-se e inova-se. O arcebispo Peculiar é representado com um báculo que se remata em cima por um genital masculino completamente óbvio. Uma pila enorme e mole!


Quando vi pela primeira vez esta escultura, logo imaginei o gozo que deve ter sido o acolhimento público quando ela foi inaugurada em Dezembro de 2003. Cartas e fotos aos directores dos jornais, clips nos noticiários das TVs, chacota da estudantada liceal e universitária, diligências discretas junto da autarquia, promotora da iniciativa. É que um seminário fica logo ali ao lado. Mas parece que nada aconteceu. Nem sequer os pintores de grafittis, activos em todo o lado, nem eles se lembraram de deixar a sua marca.
Só posso concluir que Portugal está muito diferente, sem capacidade crítica nem gosto pelo bom humor. Braga era antigamente conhecida como a mais conservadora e beata das cidades portuguesas. Com uma catedral com mais de mil anos, os seus seis seminários e numerosos conventos femininos, um cabido forrado de doutos cónegos e o título da Roma Portuguesa, a sua fama já vem de muito longe. Até o herói da “Relíquia”, de Eça, se referia com chalaça ao excessivo clericalismo da cidade dos arcebispos.
Por isso eu imaginava que esta escultura iria desencadear por parte do clero e das boas-famílias locais uma reacção ao “despudor do cajado”, ou uma algazarra de troça da parte mais jovem e descomprometida da sociedade. Nem uma nem outra. Nem deram por nada. Comem por bom tudo o que lhes ponham na frente.

Só para acabar: na placa de latão, onde se divulga, em letra de tamanho quase ilegível o nome do escultor, refere-se a data de nascimento de D. João Peculiar como se fosse em 1139, o que é um disparate, ou uma “inovação” do mesmo teor das outras acima referidas. Os livros sérios de História dizem que se desconhece a sua data de nascimento, mas que deve ter sido à volta de 1100. Não podia ter sido em 1139: de facto, em 1142, já Arcebispo de Braga, estava ele a coroar o Rei Afonso e é bastante improvável que o tenha feito aos três anos de idade. A menos que a data se refira ao período em que o prelado comandou a diocese, mas não são dadas mais explicações.

06 maio, 2008

Um preserbaculativo muito peculiar

De há uns tempos para cá, os fins-de-semana têm sido bastante agitados lá para as bandas do centro histórico de Braga.
Já muitas vezes tenho visto algo de semelhante; mas para não vos cansar, vou apenas contar-vos o que vi no passado Domingo, logo pela manhã: quando passava junto desta recente atracção turística bracarense, deparei-me com uma situação insólita (desculpem a minha inocência), digna da célebre expressão do nosso conterrâneo Repórter Alfa “tal como vossas mercês podem ver claramente visto”. Ao longe, pareceu-me uma teia de aranha (desculpem outra vez a minha inocência), sinal de falta de uso. Falta de uso??? Seu inocente, interroguei-me a mim próprio. A realidade é precisamente o contrário: Um Preserbaculativo….
Porém, este facto não passou despercebido aos vários turistas que por lá passavam. Certamente não se aperceberam da beleza arquitectónica dos edifícios do Largo de S. Paulo, mas ficaram de tal forma entusiasmados com o Báculo tão peculiar, que desde telemóveis a máquinas fotográficas, tudo servia para fotografar a nossa “Vedeta”.
Apresentada inicialmente como símbolo da fundação da nacionalidade, é venerada presentemente pela rapaziada cá do burgo, sobretudo pelas moças que se dependuram no peculiar báculo beijando-o, e até há quem diga que parece exercer função purificadora e propiciatória do culto da fertilidade.
O jornal “Público” que hoje tem uma chamada na primeira página dizendo que 25% dos portugueses nunca usaram preservativo, poderia utilizar esta imagem como o exemplo que os homens devem seguir quando querem ter relações fora da sua parceira habitual. Pois se até um arcebispo o usa! O exemplo deve sempre vir de cima!
Irreverência? Vandalismo? Atentado à liberdade religiosa? Falta de civismo? Concorrência ao “Bananeiro” da Rua do Souto? Talvez de tudo um pouco. O presente facto não deveria constituir um motivo de reflexão para os bracarenses?

07 setembro, 2007

O báculo peculiar volta a dar que falar. Câmara de Braga sacode a água do capote



Cansa. Cansa ver tanta desfaçatez, tanta fuga, tanto jogo de empurra. Ninguém fez, ninguém autorizou, ninguém assume, ninguém quer resolver a situação.

Hoje, no Diário do Minho e no Correio do Minho, afinal os dois jornais de Braga, o assunto era comum. Hoje, como há dias, o jornal que teoricamente deveria mostrar uma foto mais “escondida”, o Diário do Minho, era aquele que a mostrava maior. Não dá para perceber.

Entendamo-nos de uma vez por todas. Diga-se quem é que foi o ideólogo da estátua, quem a pagou, quem autorizou a sua colocação, quem é que nunca levantou uma palha sobre a situação e porquê. Já cansa de tanto diz-se diz-se em que ninguém tem “culpas”, em que ninguém tem que resolver a situação. Já chega de jogo de empurra! Ou talvez não: estamos em Portugal, onde o processo da Casa Pia já começou há uma boa meia dúzia de anos e em que se não vê o fim; estamos em Portugal, o país onde Saddat queria ser julgado…

Já lá vão uns bons 5 anos, talvez 6, em que um dia apareceu no meio do largo D. João Peculiar um estranho plinto, feito em granito de cores diferentes e dissonantes com o dos edifícios ali existentes. Percebia-se que iria haver asneira, isto é, que ali, naquele nico repleto de edifícios cheios de história, ir-se-ia colocar mais uma peça. Cumpria-se Braga, onde o horror do vazio acontece e onde, portanto, são possíveis centros comerciais como o Galécia ou urbanizações como a da Makro.
Segundo o jornal Correio do Minho de hoje foi a anterior direcção do Cabido que tomou a iniciativa da colocação do plinto. Não estranhamos. Mas há outra pergunta que fica no ar: quem é que autorizou a colocação do plinto naquele local? A Câmara e o IPPAR teriam que, obrigatoriamente, dar essa autorização. Se a não deram, se não foram confrontados com um pedido formal para a colocação, porque é que não mandaram retirar o plinto e porque é que não moveram um processo a quem o ali fez colocar sem autorização? Será que em Braga, será que na zona de protecção da Sé há outra há outra entidade que não sejam a Câmara Municipal e o IPPAR com a responsabilidade da sua gestão?
A partir de certa altura houve pressões de particulares e da Misericórdia e o plinto saiu dali. E ainda bem.
Só que saiu dali para outro lado. Outro lado bem diferente. Mas onde, pelos vistos, a história se repetiu.
Ou seja: a estátua que iria ser colocada no Largo D. João Peculiar, naquele largo tão pequenino, iria ser colocada no Largo de São Paulo, várias vezes maior e muitíssimo mais desafogado. Ou seja: estava a haver um erro crasso não só de quem queria transferir a estátua (o Cabido, segundo o Correio do Minho de hoje) e de quem tem a gestão daquele espaço (a Câmara, naturalmente, mas nunca referida pelo mesmo Correio do Minho).

Foi só a partir do momento em que a estátua ficou visível que os bracarenses a puderam conhecer. Antes, acreditamos, apenas deveria ser conhecida pelo encomendante e pela Câmara. Pelo encomendante porque foi ele que deu a ordem ao escultor para a fazer e lhe deu as indicações que teria de seguir. Pela Câmara porque não se pode fazer uma intervenção num espaço público sem haver uma apreciação prévia pelos seus serviços.
Não é, porém, isto o que se pode entender da leitura do Correio do Minho de hoje: a Câmara confiou no sentido estético do Cabido e deu autorização tácita para que a obra fosse colocada.
Meus senhores: isto é grave. Muitíssimo grave. Se um qualquer munícipe quiser fazer alterações no INTERIOR, sim, digo INTERIOR da sua casa terá que as submeter à apreciação da edilidade. Mas se essa entidade for o Cabido, pelos vistos já pode fazer o que quiser. Dá para acreditar?
E se foi dada autorização tácita será que foi dada por escrito? Ou foi apenas oral? Será que um serviço público pode dar uma autorização apenas oral para uma quem quer que seja possa intervir no espaço público?
E ainda outra questão: mesmo que essa autorização tácita tenha sido efectivamente dada, não havia ninguém na Câmara com capacidade para perceber que aquela estátua e plinto não tinham escala para poder ali permanecer? Não havia ninguém com sentido estético que tivesse poder para dar ordem para o monumento ser dali retirado? Acredito que não. Ao ver o estado urbanístico da cidade acredito bem que não.

Mas há ainda outra coisa a considerar: a estátua não só não tem a mínima qualidade estética como ainda por cima tem um báculo com uma forma muito invulgar, a de um enorme pénis. Poderia passar se fosse colocada nas Caldas, mas acredito que nem aí a quereriam, tão fraca é.
Ou seja: havia mais uma razão para a Câmara a mandar retirar. Não por falsos moralismos mas sim pelo seu péssimo interesse artístico.
E aí não entendemos também a posição da igreja de Braga. Hoje, segundo o mesmo Correio do Minho, o seu chefe recusou-se a falar da estátua. Porquê? Porque é que não encara a situação de frente e deixa adiar o problema? Qual é o seu interesse em não actuar? Será que tem medo de afrontar quem ali a mandou colocar? Um chefe não pode, nem deve ser déspota. Mas tem de ser chefe, isto é, tem de resolver o que está mal.

Entretanto a cidade fala, entretanto a cidade vai tomando posição, entretanto TODA A POPULAÇÃO vai mostrando o seu desagrado com a manutenção desta situação. Os únicos que, pelos vistos, se sentem bem, que gostam do que está a acontecer, são a Câmara e a Igreja.
Entretanto o assunto tornou-se alvo de chacota a nível nacional, referido na televisão e nos jornais. Basta ver, por exemplo, o número do desportivo “A Bola” de ontem.